quinta-feira, 3 de outubro de 2013

UMA HISTÓRIA MEDIEVAL

Olá gente, fiquei afastada por um tempo do blog, mas estou de volta e trago para vocês lerem e relaxarem uma história que eu mesmo criei durante o mês de julho. Leiam-a com tranquilidade e mergulhem dentro desta fantástica história com Lírio, a personagem principal...espero que gostem, bye ;)

Simplesmente Enfeitiçada


        Ao som de violinos, consigo sentir meu coração palpitando de acordo com a intensidade da música. Sinto uma leve brisa pura passar o tempo inteiro dentro de mim. Meus olhos abrem e fecham delicadamente com a melodia. Sem falar do perfume que eu consigo sentir que fica ao redor de toda aquela plateia. Mas de repente, num leve suspiro eu adormeço, levando comigo aquela canção medieval. Quando abro meus olhos novamente estou num jardim, oh não percebendo melhor estou numa floresta, magnífica, porém eu sinto que esse lugar guarda segredos. Eu corro até encontrar um chalezinho, já cansada sem beber, nem comer nada o dia inteiro. Uma pessoa abre a porta.
       - Quem é você garota, o que faz aqui? Não percebe que pode ser capturada? A noite está chegando e daqui a pouco as feras vão sair à solta!- Diz um soldadinho que estava um pouco nervoso, quando abriu pra mim a porta do chalé.
       - Por favor, se puder dar um copo de água e um pedaço de pão... Andei o dia todo, não sei onde estou e me sinto fraca... - Eu falei assustada.
        - Entre logo menina! Ou morrerá em meio à floresta negra.
Então era isso. Eu estava na floresta negra, o lugar mais lindo, mas por detrás daquela beleza  havia  sangue, perseguição e morte! Como eu havia chegado até lá? O soldado me deu sopa de legumes e um copo de  água do poço. Eu estava assustada e logo lhe perguntei:
- Que falta de educação da minha parte. Quem é você? Obrigada pela refeição.
Ele sorriu por um instante e respondeu:
-  Meu nome é Etevaldo, sou um soldado da corte da rainha Magnólia.Desculpa  não ter me apresentado antes , estou procurando uma maneira de ter paciência ainda. Tô cheio de dívida, fui traído por uma vagabunda  e como se não bastasse ainda não cacei nem  ave nesse último mês.  Desculpa e quem é a senhorita?
-  Bem, se eu ainda estiver viva, sou uma pesquisadora e meu nome é Lírio. Não sei bem como vim parar aqui, me lembro de que eu estava numa orquestra junto a meu pai e depois não me lembro de mais de nada.
Ele me olhou como se eu estivesse maluca, encarando-me com aqueles olhos castanhos claros, como se estivesse procurando respostas. E no mesmo instante eu suspirei, sentindo algo diferente dentro de mim. O que aquele soldado mal educado tinha despertado dentro de mim?
Valdo me explicou o que realmente acontecia na Floresta Negra. Eu nunca havia dado importância à algo que parecia tão irreal. Ele me explicava com tanta confiança sobre feras assustadoras que habitavam aquele lugar, sobre lobisomens e uma sessão de criaturas que até então me pareciam lendas, não existiam para mim. Mas o que me assustou foi quando ele me disse que o lugar é dominado pela magia do mal, disso eu sabia que existia. Assim como há anjos, que possuem e espalham a magia do bem, eu sabia, que também há demônios que  possuem e espalham a magia do mal!
Acabei dormindo no chalé sem perceber e na manhã seguinte eu fui  pescar num lago ali perto. Eu estava me sentindo mais forte e confiante, mas eu queria voltar para casa, ou melhor, eu queria descobrir como eu fui parar ali, naquele lugar tão apaixonante e ao mesmo tempo tão sinistro. Passei o dia inteiro me divertindo com Valdo, meu mais novo amigo, ele de alguma forma maravilhosa me entendia e me protegia.
-  E agora soldado, ainda está nervoso?
-É, tenho que admitir, estou me divertindo muito mesmo, embora é bom que você saiba que estamos em perigo.
- Qualquer coisa a gente luta. Juntos podemos vencer uma guerra.
Eu não sei o que deu em mim ao dizer aquilo, mas me senti bem.
- Claro, viraremos churrasco na panela da rainha, isso sim!
-  Você não me falou de rainha nenhuma. Como assim virar churrasco?
Ele não me respondeu, foi como se ele tivesse cometido um erro. Não podia falar de nenhuma rainha e imediatamente mudou de assunto. Mas eu sabia que tinha que descobrir o que era...esse segredo...eu sentia que tinha alguma coisa a ver com a minha vida!
A chuva havia parado e estava de noite e eu sentei na grama admirando a lua cheia e as estrelas, fiquei impressionada ao reparar que ali haviam muitas estrelas e poluição era certo de que quase não havia. Meu coração acelerava, palpitando com a mesma velocidade de quando eu estava na orquestra ouvindo os violinos, e sem eu querer uma lágrima cai dos meus olhos, delicadamente.
- Olha! Você acredita em anjos? Pois está acontecendo um show no céu esta noite. O que aconteceu? Por que você está chorando?
Eu olhei para ele e suspirei:
- Sabe quando você tem a sensação de que algo ruim se aproxima, como se você estivesse predestinada? Tudo o que eu queria era voltar para casa e me proteger nos braços do meu pai. Ou se você quiser me ajudar, me diga que mal essa rainha fez, foi ela que espalhou a magia negra na floresta, não foi? Eu sinto...
Então Valdo disse:
-  Tudo bem, eu sei como você deve estar se sentindo, vou lhe contar a história, mas você vai me prometer que isso ficará em segredo!
- Sim, eu prometo. -Eu disse
- Há algum tempo atrás o rei Dominik II, casou-se com a atual rainha Magnnólia. Desde então, ela  sentia que tinha o poder sobre o mundo, podia dominar o mundo. E as pessoas da corte falam que não, nunca irão falar a realidade, mas eu sei, a rainha é uma feiticeira. Desde quando ela tomou posse da monarquia, a Floresta Negra que era habitada por pássaros, borboletas, flores das mais variadas espécies, árvores que cujo o fruto era farto e alimentava toda a nossa população, começou a ficar sinistra, as folhas secaram das árvores, as rosas morreram e no lugar de pássaros felizes, vemos corvos e pombas negras, sempre de madrugada. Um dia saí para caçar de madrugada e me dei de frente com uma fera de dentes  afiados e garras enormes, não era um animal que tinha seu próprio extinto. Era uma fera que parecia sentir prazer em matar! Dois anos depois do casamento, o rei faleceu. Uns dizem que foi suicídio, outros que foi alguma doença crônica. Mas eu tenho quase certeza que foi ela que matou ele.
Então eu disse:
- Que horror! Mas, Valdo pode ser apenas fruto da sua imaginação. Isso é uma lenda, acredita quem quiser. E outra, já te disseram que você pode ir para a cadeia, por falar infâmias da rainha da Alemanha?
-  É mesmo mocinha? Então você não se interessaria se eu te contasse do anjo que a rainha queria matar? Então mudaremos de assunto.
-  Anjo?
Não sei o por quê mas aquilo me chamou a atenção. Anjos eu sabia que existiam! Como uma pessoa iria querer fazer mal à uma criatura tão doce e boa, como um anjo?
- Então você acredita em pelo menos alguma coisa nesse mundo, Lírio?! Sim, um anjo. Ninguém inventou isso, todo mundo sabe do anjo que veio à vila uma vez. Ele era um garoto ruivo com sardas e  os olhos azuis como o oceano! Era conhecido por sempre estar ao lado das pessoas e ajudar todo mundo. Por isso, ficou com fama de anjo. A rainha odiava o pobre garotinho, justamente porque ela era um demônio  e ele era o contrário.  O garotinho desapareceu ninguém sabe o que aconteceu com ele, faz muito anos, eu nem tinha nascido ainda, meu avô que me contou. E a bruxa sempre ficou vasculhando tudo atrás desse menino.
Inacreditável. Um lugar maravilhoso, mas que escondia mil segredos e cada um tinha um enigma. Mas sinceramente eu havia ficado curiosa e ao mesmo tempo assustada com aquela história do anjo. Será que era apenas imaginação do Valdo?
De repente, um breve silêncio e eu não sabia ao certo, mas parecia que minha circulação estava acelerada, meu coração quase saltando da minha boca. E eu dei um suspiro meio atordoada e nisso Valdo coloca uma música leve, deixando o ambiente muito mais calmo e eu dei um sorriso. A música me fez lembrar a mesma melodia da orquestra, mas desta vez era uma coisa mais parecida com valsa ou até mesmo mágica. De repente meu olhar encontram os olhos castanhos claros do menino e depois fixei no sorriso dele enquanto ele me olhava solenemente, com uma calma inexplicável. Meu coração batia com a mesma batida da música e como se fosse mágica nós nos beijamos. Eu fechei meus olhos e me senti leve, sendo protegida e vivendo a natureza ao vivo, eu diria. Depois eu olhei para ele e sorri, ele olhou para o meu rosto e arrumou meu cabelo castanho que estava cheio de grama. E apenas disse:
-  Boa Sorte, meu anjo!
O porquê eu ainda não sabia. Eu só estava preocupada com aquele momento único. Não sabia se estava viva, ou apenas sonhando e iria acordar depois e tudo iria voltar ao normal, mas eu tinha certeza de que estava ao lado da minha alma gêmea, isso era verdadeiro! E fechei os meus olhos.
Quando acordei tudo o que conseguia sentir era muita dor e frio, abri meus olhos e me vi no meio da floresta negra. Estava muito escuro, só conseguia ver os galhos chacoalhando e ouvia o vento zunindo. Olho pra mim mesmo e sinto um corte próximo à minha vértebra, um animal muito grande havia me atingido. Olhei para o meu relógio, a única coisa que iluminava e me assustei quando vi duas e meia da manhã. Era madrugada e eu estava no meio da floresta negra. O que será que eu estava fazendo ali? Como fui parar ali? Será que os monstros que o Valdo tinha falado iriam me atacar? Eu só conseguia sentir medo e queria sair dali. E não iria mais dormir. Toda vez que eu dormia eu acordava num lugar diferente. Que raiva! Comecei a ouvir passos e por mais machucada que eu estava comecei a correr, eu tinha ciência que iria morrer de qualquer jeito, mas eu podia lutar. Não podia? Corri, feri o meu rosto no meio das árvores, até que eu caí num buraco. Era o meu fim. Só podia ser.

Assustada, fiquei com os olhos fechados, até que uma moça que me pareceu muito boa apareceu com uma espécie de vela e sorrindo disse:
- Minha querida, o que você faz pela floresta negra uma hora dessas? Deveria estar dormindo agora? Não é mesmo, meu bem?
-É o que eu mais queria, não faço ideia de como vim parar aqui. Um animal da floresta deve ter me atingido...
Fiquei feliz por encontrar aquela moça, eu tinha esperança de vida, ela iria me ajudar. Não era o meu fim! Eu pensei...
-Venha vou te levar para um lugar seguro, para fazerem um curativo em você, flor. Depois disso, eu ligo para a sua família. Nada melhor do que fazer o bem ao próximo, não é mesmo?
-Nossa, eu nem acredito! Muito obrigada senhora. Agradeço infinitamente.
 Chegamos numa casa enorme, parecia um castelo medieval, entramos pelas portas do fundo. E a mulher pediu para uma das enfermeiras fazerem um curativo em mim e depois me deu uma roupa limpa pra vestir.
- Nossa muito obrigada. Agora se a senhora puder me emprestar o telefone para eu ligar para minha família, agradeço profundamente. Eu sabia que ainda havia pessoas boas no mundo. A esperança é a última que morre. Não é mesmo?
Rindo descaradamente ela disse:
-  Bondade. Educação. ESPERANÇA! Você me provoca enjoo menina, mas...eu sabia que você viria, tenho certeza que já sabe quem eu sou. Não é mesmo?
- Nãoo! Então é verdade o que...você é a rainha, você é uma feiticeira! E por que você me odeia? Como eu vim parar aqui?
Nisso eu lembrei que antes de eu abrir os meus olhos na madrugada da Floresta Negra, eu havia deixado o chalé do Etevaldo, sendo hipnotizada por algo que me levou até o meio da Floresta Negra.
Eu pensei em correr, mas antes disso ela fechou todas as portas do castelo e o ambiente ficou pesado e escuro. Eu sentia medo, mas mesmo assim a encarei. Ela do mesmo modo me fixando com raiva começou a me explicar, andando de um lado para o outro:
- Você chegou até aqui por um único propósito, querer descobrir o que havia por trás da floresta negra, e eu sei que você sabe muito bem que sou eu a alma que anda pelas escuridões na madrugada da floresta e eu sinto que você pode destruir de alguma forma todos os meus planos, anjinho. Então desde sempre, você é perseguida pelos meus pesadelos, não queria que isso acabasse assim, mas é a única saída.
Então nesse momento ela arrancou uma espada de dentro da capa e eu só sentia um frio dentro de mim, as lágrimas escorrendo no meu rosto e meu coração acelerado. O que eu faria agora? Eu não tinha saída. Aí eu lembrei que sempre levo comigo no meu pescoço o meu terço e então agarrei na esperança e fé que ainda tinha, as únicas coisas que me faziam lutar e eu ergui bem  ao alto o terço e encarei novamente aquela bruxa. Aquilo  fez ela se enfurecer ainda mais contra a mim, mas agora eu sentia tudo, menos medo. E então eu disse cautelosamente:
-  Então erga agora essa espada e a atira contra meu coração. Se essa é vossa vontade, excelência. Não é assim que todos te chamam, querida rainha ou excelência? Desculpe mas para mim você é uma feiticeira, da pior espécie! Se realmente me odeia tanto a ponto de querer me matar, vamos então o faça! Mas eu não sei se é realmente agora a hora que eu tenho que partir. Sinto muito.

De repente,  a sua magia diminuiu e no lugar dos demônios e pragas que habitavam aquele castelo começaram a aparecerem anjos e uma  luz muito forte fez a rainha virar cinzas. Não sei explicar o fenômeno que ocorreu, só senti meu coração bem mais leve, enquanto os anjos me tiravam dali, parecia que eles me levavam delicadamente ao ritmo de uma melodia, que me fez dormir.  Eu acordei com meu pai me acordando, havia acabado a orquestra e nós tínhamos que ir embora. Então tudo só  passou de um sonho, eu apenas adormeci aos sons dos violinos. O mais fantástico foi que parecia um sonho tão real e ao mesmo tempo tão imaginário. E eu termino essa história descrevendo as últimas lágrimas que escorreram do meu rosto enquanto eu saia da sala. Se foi um sonho, quem era Etevaldo, apenas um soldadinho imaginário que conquistou meu coração de uma forma encantadora e agora tudo acabou? Na realidade a vida muitas vezes pode ser comparada com um sonho. Quando somos crianças traçamos metas para a nossa vida e lutamos para um dia conquistarmos nossos sonhos e aí de repente vem a  vida e cria algo totalmente diferente do que a gente imaginava, pode ser algo que acreditamos que seria impossível ou algo mais surpreendente do que sonhamos, mas sempre acontece alguma coisa que muda nosso destino! As vezes vai saber, um dia eu possa estar andando pela rua e esbarrar no ombro do  Valdo e tudo começar de novo.




2 comentários:

  1. Bom, Carol eu sei que nós passamos bons tempos no Pionneiro e embora eu não tenha conhecido vc direito eu espero que a nossa amizade seja duradoura e que todo o tempo que nós passarmos juntos seja com muita alegria... :)

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  2. Nossa eu li seu comentário hoje Juan, me desculpa. Realmente, nossa amizade é e será duradoura, pode ter certeza!

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